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Tratamento para Alcoolismo em BH

Do primeiro copo que virou rotina até a decisão mais difícil da família. Esta página cobre o álcool inteiro, inclusive o que a lei permite e o que ela proíbe.

Resposta curta

O álcool é a substância cuja parada abrupta traz o maior risco físico imediato: o quadro grave de abstinência inclui febre, convulsões e alucinações e, sem tratamento a tempo, pode levar à morte. Por isso interromper sozinho é a pior escolha possível. Existe protocolo público para a retirada, e existe uma lei federal que define quem pode pedir uma internação, quem autoriza e a quem ela precisa ser comunicada.

A palavra e a porta

Clínica para alcoólatras em BH

Uma observação antes do resto. A palavra que a família digita no Google não é a palavra que o serviço de saúde usa. No vocabulário técnico atual fala-se em dependência do álcool ou em transtorno por uso de álcool, e isso não é preciosismo: o diagnóstico tem critério, é feito por profissional e não depende do julgamento moral de ninguém.

A troca de palavra muda também o que se procura. O álcool tem, no SUS, uma linha de cuidado publicada pelo Ministério da Saúde só para ele, e essa linha é organizada por nível de atenção, não por tipo de clínica. O estágio mais leve da abstinência aparece ali como manejável na atenção primária; a unidade hospitalar entra quando o quadro escala. Ou seja, a primeira porta pode ser a unidade básica do bairro, não necessariamente um endereço com internação.

Daí sai o critério para avaliar qualquer lugar, público ou privado, e ele é específico do álcool: quem cuida precisa ter como responder à retirada, porque com essa substância é a retirada que pode piorar sozinha. Essa é a pergunta a fazer ao telefone antes de perguntar preço, e é o assunto das duas seções abaixo.

Fontes: SUPERA, Módulo 3; Ministério da Saúde, linha de cuidado em transtornos por uso de álcool.

A linha que ninguém vê passar

O que separa o beber social do alcoolismo

Não é a quantidade, e não é o tipo de bebida. O que muda é o controle. O material de formação da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas define a dependência como a perda da liberdade de escolha: a pessoa não decide mais se vai beber nem quanto vai beber.

Antes disso aparece a tolerância. Com o uso regular, é preciso beber mais para sentir o mesmo efeito de antes. E há um dado que costuma surpreender pais: quanto mais jovem a pessoa começa, menor o tempo necessário para a dependência se instalar.

Para não deixar isso no terreno da opinião, existe um questionário padronizado, o AUDIT, criado para identificar problemas relacionados ao uso de álcool. Ele soma pontos e classifica o consumo em quatro faixas, cada uma com uma conduta diferente: da prevenção primária, na faixa mais baixa, à orientação básica, à intervenção breve com monitoramento e, na faixa mais alta, ao encaminhamento para serviço especializado. É um instrumento de triagem aplicado por profissional, não um teste de internet, mas saber que ele existe ajuda a família a cobrar uma avaliação de verdade em vez de discutir em casa.

Fontes: SUPERA, Módulo 3, AUDIT; SUPERA, Módulo 2, tolerância e dependência de álcool.

A parte perigosa

Como funciona a retirada do álcool

Esta é a parte em que a boa intenção da família pode causar dano. Quem depende de álcool já está adaptado à presença constante da substância, e pode ter sintomas ao parar de beber ou mesmo ao reduzir muito a quantidade diária. Trancar em casa e esperar passar é justamente o que não se faz.

A linha de cuidado do Ministério da Saúde organiza o quadro em estágios. O primeiro costuma aparecer entre seis e oito horas depois da última dose, com ansiedade, tremor leve, náusea e taquicardia, e pode ser manejado na atenção primária. A partir do segundo estágio, a orientação é encaminhar para a emergência. A tiamina, a vitamina B1, entra no manejo, e o protocolo é explícito ao alertar que não se deve administrar glicose, porque isso pode desencadear a encefalopatia de Wernicke.

No extremo está o delirium tremens, que não é sinônimo de tremer: é um quadro com febre, convulsões e alucinações, em que a pessoa pode ter visões de animais e que, sem tratamento a tempo, pode levar à morte.

Sobre prazo, o Ministério da Saúde registra que a desintoxicação não complicada dura cerca de sete a dez dias. Isso é o começo, não o fim: a alta prevista inclui orientação sobre recaída, retorno preferencialmente em dois dias e vinculação a um CAPS ad ou à atenção primária.

Fontes: Ministério da Saúde, linha de cuidado em transtornos por uso de álcool, manejo inicial; Ministério da Saúde, planejamento terapêutico; SUPERA, Módulo 2.

Quando o hospital entra

Internação para alcoolismo em BH

A regra de partida está no artigo 4º da Lei 10.216/2001: a internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos fora do hospital se mostrarem insuficientes. Ela não é o primeiro passo nem o passo automático.

Quando ela é considerada, o Ministério da Saúde lista os fatores que pesam a favor da desintoxicação assistida em ambiente hospitalar:

  • episódios anteriores de abstinência grave, convulsões ou delirium tremens;
  • outras doenças clínicas ou psiquiátricas significativas junto;
  • sintomas intensos já nas primeiras seis horas;
  • tentativas anteriores de desintoxicação fora do hospital que não deram certo;
  • falta de apoio social, incluindo pessoas em situação de rua.

Duas exigências valem para qualquer estabelecimento, e a família pode perguntar por elas ao telefone. A primeira: pelo artigo 6º da mesma lei, a internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos. A segunda: pelo artigo 8º, ela só pode ser autorizada por médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina do estado onde fica o estabelecimento. Lugar que promete vaga sem avaliação médica está oferecendo algo que a lei não permite.

Fontes: Ministério da Saúde, planejamento terapêutico; Lei 10.216/2001, arts. 4º, 6º e 8º.

O que a lei define

Internação voluntária e involuntária

O parágrafo único do artigo 6º da Lei 10.216/2001 reconhece três tipos, e a diferença entre eles é quem consente.

Voluntária

É a que acontece com o consentimento da pessoa. Pelo artigo 7º, quem solicita ou consente assina, no momento da admissão, uma declaração de que optou por esse regime de tratamento. O término se dá por solicitação escrita do próprio paciente ou por determinação do médico assistente.

Involuntária

É a que acontece sem o consentimento da pessoa e a pedido de terceiro. Ela não é contratada como um serviço: quem autoriza é médico registrado no Conselho Regional de Medicina do estado, sempre com o laudo circunstanciado exigido pelo artigo 6º.

E existe uma obrigação que a família precisa conhecer, porque é a principal garantia contra abuso. Pelo parágrafo 1º do artigo 8º, a internação psiquiátrica involuntária deverá, no prazo de setenta e duas horas, ser comunicada ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do estabelecimento no qual tenha ocorrido, e o mesmo procedimento deve ser adotado quando da respectiva alta. Se o estabelecimento não sabe responder como faz essa comunicação, isso é sinal de alerta.

O término, pelo parágrafo 2º, se dá por solicitação escrita do familiar ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista responsável pelo tratamento.

Quando o caso é de dependência de drogas, a Lei de Drogas acrescenta detalhes. O pedido cabe a familiar ou responsável legal ou, na absoluta falta deste, a servidor público da área de saúde, da assistência social ou dos órgãos integrantes do Sisnad, com exceção de servidores da segurança pública. A internação involuntária perdura apenas pelo tempo necessário à desintoxicação, no prazo máximo de 90 dias, com término determinado pelo médico responsável, e a família ou o representante legal pode, a qualquer tempo, requerer ao médico a interrupção do tratamento.

Compulsória

É a determinada pela Justiça. Pelo artigo 9º, quem decide é o juiz competente, que leva em conta as condições de segurança do estabelecimento quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e dos funcionários. Não é a família que decide, e não é o estabelecimento que decide.

Quando a abstinência é grave e existe sofrimento psíquico junto, o caso deixa de ser só de álcool. Esse encontro é o assunto da página de clínica psiquiátrica em BH.

Para ver a sequência do atendimento desde a ligação até o encaminhamento, veja como funciona o atendimento.

Fontes: Lei 10.216/2001, arts. 6º, 7º, 8º e 9º; Lei 11.343/2006, art. 23-A, § 3º e § 5º.

Antes de decidir sobre internação, entenda o que pode e o que não pode.

A conversa é sigilosa e serve para você chegar informado à decisão, não para apressá-la.

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