Central de orientação · Belo Horizonte e região
Tratamento para Dependência Química em BH
Esta página é sobre a pessoa e sobre o método: como reconhecer que passou do limite, o que fazer quando ela nega, e o que acontece em cada fase do cuidado.
Dependência tem definição técnica, e não depende de quantidade nem de qual substância a pessoa usa. Pela Classificação Internacional de Doenças, o diagnóstico exige três de seis sinais no último ano. O cuidado começa por avaliação, pode passar por uma retirada assistida da substância e segue com acompanhamento de equipe. A internação é uma etapa possível, não o ponto de partida.
O que existe na cidade
Clínica para dependentes químicos em BH
Quem procura por esse termo geralmente imagina um só tipo de lugar: um endereço fechado onde a pessoa fica internada. Na prática, o cuidado no Brasil está organizado em vários serviços, e a internação é apenas um deles.
O Ministério da Saúde mantém os Centros de Atenção Psicossocial. O CAPS ad atende pessoas com demandas ligadas ao uso prejudicial de álcool e outras drogas, e o CAPS ad III funciona 24 horas, com acolhimento noturno, em municípios acima de 150 mil habitantes, o que inclui Belo Horizonte. O atendimento é gratuito pelo SUS, a porta é aberta e não exige agendamento prévio, embora também receba encaminhamento de unidade básica, hospital ou serviço de urgência.
Ao lado disso existem estruturas privadas, com internação ou acompanhamento em regime aberto. A central de orientação escuta o caso, explica o que cada formato faz e encaminha para a estrutura parceira compatível com o que a família descreveu.
A lei coloca uma ordem nisso. A internação, em qualquer modalidade, só é indicada quando os recursos fora do hospital se mostram insuficientes. Isso está no artigo 4º da Lei 10.216/2001 e se repete no artigo 23-A da Lei de Drogas.
Fontes: Ministério da Saúde, Centros de Atenção Psicossocial; Lei 10.216/2001, art. 4º.
Sinais de alerta
Sinais de que a família precisa buscar ajuda
A família costuma discutir se o uso já é dependência ou ainda é exagero. Essa discussão tem critério, e o critério é público. A Classificação Internacional de Doenças, adotada pelo SUS, considera que existe dependência quando três ou mais dos sinais abaixo apareceram em algum momento dos últimos doze meses.
- Desejo forte ou senso de compulsão para consumir.
- Dificuldade de controlar o consumo, seja para começar, seja para parar, seja na quantidade.
- Sintomas físicos quando o uso é interrompido ou reduzido, ou uso da própria substância para evitar esses sintomas.
- Tolerância, ou seja, precisar de doses cada vez maiores para o mesmo efeito.
- Abandono progressivo de outros interesses e prazeres, com tempo cada vez maior gasto para conseguir, usar ou se recuperar do uso.
- Persistência no uso mesmo diante do dano já visível.
Repare no que a lista não tem: não há um número de doses, não há uma substância específica e não há um tipo de pessoa. O que define é o padrão. Existe ainda uma categoria anterior, o uso nocivo, em que já houve dano real à saúde física ou mental sem que os critérios de dependência estejam completos. Essa também é hora de procurar orientação.
Fonte: SUPERA, Módulo 3, critérios diagnósticos da CID-10, curso da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas com a Unifesp.
Negação
Quando a pessoa nega que precisa de tratamento
É a pergunta mais comum na primeira ligação. E a resposta técnica contraria o instinto da maioria das famílias, que é confrontar, provar, ameaçar.
Quem trabalha com dependência descreve a disposição para mudar como estágios. No primeiro, chamado de pré-contemplação, a pessoa não considera que o uso lhe traga problema algum e não quer mudar o comportamento. O material de formação da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas é direto sobre o que fazer aí: quem está nesse estágio precisa de informação e de um retorno claro sobre em que tipo de uso se enquadra, não de imposição.
No estágio seguinte, a contemplação, aparece a ambivalência: a pessoa ao mesmo tempo considera parar e rejeita a ideia. É nesse ponto que a conversa rende, porque ela já enxerga vantagens e desvantagens do próprio uso.
A abordagem estudada para essas duas situações se chama entrevista motivacional. O profissional não assume papel autoritário; constrói uma conversa colaborativa, expressa empatia sem concordar com o comportamento, e mostra a distância entre onde a pessoa está e onde ela mesma diz que gostaria de estar. Aceitar não é aprovar.
Para a família, isso tem uma consequência prática. Você pode buscar orientação antes de a pessoa aceitar, e é o mais comum que aconteça. O primeiro atendimento organiza o caso e prepara a conversa em casa, em vez de exigir que ela já esteja pronta.
Fonte: SUPERA, Módulo 4, intervenção breve e entrevista motivacional.
O percurso
Como é o tratamento, fase por fase
Avaliação
Antes de qualquer decisão vem a avaliação. Quando a internação chega a ser considerada sem o consentimento da pessoa, a lei exige que essa avaliação leve em conta o tipo de substância usada, o padrão de uso e a comprovação de que as outras alternativas da rede de saúde não dão conta. Não é formalidade: é o que separa cuidado de remoção.
Retirada assistida da substância
A desintoxicação é a travessia do período em que o corpo reage à ausência da substância. Ela é uma etapa do tratamento, nunca o tratamento inteiro. A própria lei trata a desintoxicação como o trecho mais curto do percurso, ao dizer que a internação involuntária dura apenas o tempo necessário a ela.
Estabilização com equipe
A Lei de Drogas determina que a internação de dependentes só aconteça em unidades de saúde ou hospitais gerais dotados de equipes multidisciplinares, e que a autorização seja de médico registrado no Conselho Regional de Medicina do estado onde fica o estabelecimento. Nos CAPS, o mesmo princípio aparece como equipe multiprofissional e Projeto Terapêutico Singular, construído com a pessoa e com a família.
Reconstrução da vida
A lei descreve a última etapa como preparar para a reinserção social e econômica, por meio de programas que articulem educação, capacitação para o trabalho, esporte, cultura e acompanhamento individualizado. É a fase mais longa e a menos visível, e é onde a recaída costuma ser decidida.
Fontes: Lei 11.343/2006, art. 23-A; Ministério da Saúde, Centros de Atenção Psicossocial.
Duração
Quanto tempo dura
Não existe prazo padrão, e desconfie de quem oferece um. A legislação brasileira fixa um único prazo, e ele é um teto, não uma meta: a internação involuntária de dependente de drogas dura apenas o tempo necessário à desintoxicação, no máximo 90 dias, com o término determinado pelo médico responsável. A família ou o representante legal pode, a qualquer momento, pedir ao médico a interrupção do tratamento.
Fora desse caso, o tempo é definido caso a caso. Nos CAPS o atendimento é organizado em intensidades diferentes, do diário ao não intensivo, dentro do Projeto Terapêutico Singular de cada pessoa. Quem já teve tentativas anteriores, quem tem outro problema de saúde junto e quem não tem apoio em casa costuma precisar de mais tempo.
O que a experiência clínica repete é que o período de internação, quando existe, é curto perto do acompanhamento que vem depois. Tratar dependência é um percurso de meses, e a conta que importa não é quantos dias a pessoa ficou, é o que foi construído para quando ela sair.
Fontes: Lei 11.343/2006, art. 23-A, § 5º; Ministério da Saúde, Centros de Atenção Psicossocial.
Próximo passo
O que a família pode fazer agora
Reúna o que você já sabe: há quanto tempo o uso acontece, o que mudou nos últimos meses, o que já foi tentado, se há outro problema de saúde envolvido e se existe risco imediato. Isso é o suficiente para a primeira conversa. Nada precisa estar resolvido antes.
Se a dúvida da sua família é sobre a substância em si, e não sobre a pessoa, o assunto está na página de clínica de recuperação de drogas em BH, que explica o que muda no cuidado conforme a droga envolvida.
Para ver a sequência do atendimento desde a ligação até o encaminhamento, veja como funciona o atendimento.
Você não precisa convencer ninguém antes de ligar.
A conversa é sigilosa e serve para organizar o caso, mesmo que a pessoa ainda não aceite tratamento.